Os 50 são o vanish das idades

Cinquentei.

Outro dia vi um vídeo da diva Meryl Streep no qual ela mencionava que ao fazer 40 anos lhe foram oferecidos 3 papéis de bruxa 🧙‍♀️, em apenas um ano.

E que aquilo foi uma espécie de sinal para ela, ao fazer 40 anos como as coisas mudam na vida de uma pessoa. No final ela declinou os papéis.

Comecei a pensar o que mudou na minha vida ao fazer 50 anos.

Agora eu entendo por que as pessoas mais velhas falam o que lhes dá na telha, sem filtro.

Comecei a perder o medo de dizer o que penso. Não é o sincericídio que tanto demorei a superar da juventude, é algo mais sutil.

Não tenho mais tanto desejo de agradar e assim me sinto mais livre para dizer o que penso.

Controlo o “tom” até mesmo o ritmo, mas a música sai. Na maioria das vezes pelo menos evito a explosão da adolescência, as palavras saem “pensadas”, mas diretas e honestas.

Parece que aos 50 um parafuso solta na engrenagem e ainda assim ela passa a funcionar com menos fricção, desgaste quase zero, como se um fluido protegesse a máquina.

A consequência é que consigo dizer não quando devo, me sinto mais leve quando estabeleço limites e aquela culpa que me seguiu durante anos, desapareceu.

“ nos tornamos mais, e não menos, distintos conforme envelhecemos. A idade não apaga nossas características individuais – pelo contrário, ela as engrandece. “

Como envelhecer – Anne Karpf.

Há uma espécie de alvejante na sinceridade. Alveja a alma. Limpa o limo. Desinfeta a mente. Liberta da necessidade de aprovação.

Os 50 são o vanish das idades. Somem com a culpa, a necessidade de aceitação ou a quantidade de likes. Físicos ou virtuais.

Finalmente entendi que de nada adianta ter ao seu redor gente que arrebenta suas fronteiras, rouba risadas valiosas, julga seus momentos vacilantes, exige atenção qual criança mimada e compete nas mínimas, irrisórias e passageiras coisas.

Aliás passageira é a vida. Que se senta no lado do carona enquanto você navega e presta atenção nos erros dos outros.

A vida está ali sentada, imóvel só te observando sofrer no volante. Com a cabeça a mil, o corpo em frangalhos e a mente em outro lugar que não aquele onde deveria estar.

A paisagem vai atravessando, ora seca ora chuvosa. Ah! As flores ao longo da estrada, são hortênsias, pois não? Os primeiros flocos caem finos sobre o para brisas que tudo recebe.

E a gente ali conduzindo o carro com a cabeça desgovernada.

Aos 50 você para no acostamento mais vezes. Respira. Espera a tormenta passar se abrigando e não brigando com São Pedro.

Colhe e cheira uma flor, aliás nem colhe mais. Você entende que a flor deve ficar onde está, assim como a concha na praia. Você flerta com o vento, mas não se compromete com o furacão. Sente cheiro de tempestade, de incêndio, de tormenta de longe e não se apega ao impossível.

Como no livro as coisas que você vê quando desacelera:

quando a vida decepcionar, descanse um momento.

Deixa o tempo te levar. Onde quer que você esteja o espaço é seu amigo e se o tempo parar você aprecia o momento. Não corre contra ele.

O desespero não te toma mais de assalto. Não rouba sua paz, não furta sua calma. Nenhum crime é cometido sem que você tenha previsto o resultado. Doloso ou culposo nada de pega de surpresa. O odor do medo já é conhecido. Antes que ele absorva sua alma você o liberta.

O medo é um criminoso. Somente soltando suas rédeas, abrindo as portas da prisão que nada de preventiva tem, você é livre de verdade.

Medo de não ser aceita, não ser parte de um grupo, gangue ou bando. Não ser admitida no clube, na faculdade, no país. Medo de não ser parte de um todo que de todo nada tem.

Perdi o medo de estar só, a minha companhia é suficiente. Melhor estar em bando, mas o meu bando. Não qualquer um e nem a todo custo.

Aos 50 você libera o medo. A morte já faz parte dos minutos finais. A última volta está logo ali. O nada tenho a perder vira lema de vida, estrada a ser trilhada, trem a não perder.

Agora é voo Cruzeiro o tempo todo. Assim espero!

Sejam bem-vindos 50.

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