Por que ler o mundo antes de embarcar é fundamental?

Há uns dias comecei a pensar que não leio tanto quanto gostaria.

Muitas vezes por preguiça ou por empreender meu tempo em outras atividades.

E sei que para escrever é essencial ler e muito.

Ainda que você tenha ideias no forno sobre o próximo assunto, trama e roteiro, ler é o caminho para desenvolver aquilo que ainda não se fez presente, por assim dizer.

Quando escolho um país para visitar tento aprender o máximo que puder antes de embarcar, e leio máximo que posso, recomendo filmes também.

E nunca é suficiente, mas sinto que é um bom começo.

Em geral leio acerca dos costumes, hábitos e tradições a fim de evitar cometer erros ou ofender a religião do local que vou visitar.

Tamanha era a preocupação que no livro o Guia Essencial para Viajar por Conta Própria o capítulo 10 é dedicado inteiramente dedicado a averiguar as tradições do destino da vez que faz bem a saúde da sua viagem e pode evitar mal entendidos.

Além de ser essencial para sua viagem já que o escritor vira uma espécie de representante consular do destino da vez, ler é conhecer mais de si, pois o outro é nosso espelho.

É aprender modos diversos de encarar a mesma coisa, sair da bolha e não se conter em querer saber mais sobre o mundo.

Através das palavras do escritor viajamos no país que ele descreve, antes mesmo de comprar a passagem.

É uma visão particular, mas também é a visão de um local, alguém que brincou nas ruas, que foi a escola, que teve seu primeiro amor e coração quebrado, bem como o joelho ralado.

Que aprendeu a andar de bicicleta, nadou pela primeira vez no mar e começou a trabalhar.

É pelos olhos dessa pessoa que viveu, amou e talvez tenha se mudado, como é na maioria das vezes, mas que guarda em seu coração o país de origem, que vemos o local.

Quando escrevi o Mochilando com as Deusas tive que ler um pouco mais, na maioria das vezes sobre mitologia (que é base digamos assim), mas entendi mais acerca dos países que já havia visitado.

Com poucas traduções disponíveis fui forçada a importar vários livros.

Tenho amigos em vários lugares e como no Estados Unidos a variedade de livros é maior que aqui, pedi inúmeros livros de lá.

Esse é um outro problema para quem quer ler, mas abordaremos mais para frente!

Pesquisando sobre o assunto me deparei com uma TED talk onde a autora fala sobre um projeto de ler um livro sobre cada país e conta sua história – vale a pena ver. O link está aqui .

No blog ela posta acerca dos livros de cada local com um mapa interativo. Dá uma olhada no post . Um projeto mais do que interessante, não é?

Por aqui temos um projeto parecido da blogueira Camila Navarro :a volta ao mundo em 198 livros. Você pode ver nesse link: 198 livros .

Ela também fala sobre as viagens e os países que visitou, recomendando livros de cada destino. O máximo!

Falarei sobre os livros que li e como eles me afetaram nas incursões pelos países quando viajei para cada um deles.

Um lembrete: somos afiliados da Amazon, se você comprar o livro pelo link receberemos uma comissão, mas isso não afeta o preço que você paga, certo?

Começarei em nossas terras e na América do Sul:

1. O melhor retrato do Brasil – talvez bastante regional- é Jorge Amado.

Foi i escritor mais adaptado para o cinema e televisão. Nasceu em Itabuna, na Bahia e publicou seu primeiro romance em 1931: o país do carnaval. Para conhecer mais sobre sua história é só acessar essa página.

Capitães de areia li no colégio e me afetou profundamente. Narra as aventuras e desventuras de um grupo de meninos de rua que tem um lider chamado Pedro Bala.

Os furtos, as paixões, as ambições desse grupo são retratados de uma maneira toda particular: o jeito Jorge Amado de ser.

Se você ainda não leu, não perca a oportunidade de conhecer o Piriluto, o Volta seca, o Gato e tantos outros personagens que enriquecem a leitura.

Não conheço nenhum escritor que transparece a cultura brasileira de modo mais acurado.

Ler é viajar sem sair do lugar

2. Da Colômbia o famoso Gabriel Garcia Márquez é o melhor representante.

Gosto muito de 100 anos de solidão, mas meu favorito é de longe O Amor nos Tempos do Cólera.

50 anos de lembrança, uma carta entregue e um amor que se desenvolve.

O jovem Florentino vai entregar uma carta e conhece Firmina. A partir daí são encontros surpresas, cartas que mais parecem romance, um cortejo de primeira e uma grande paixão.

Não vou dar spoiler. Só leia.

O amor nos tempos do cólera

3. Do Peru não conheço melhor autor que Mario Vargas Lhosa e aqui fica difícil escolher um livro.

Mas no meu coração desde sempre Travessuras da Menina Má que é perfeito.

O desejo e a esperança que o grande amor de nossas vidas um dia vai se tornar uma pessoa melhor, diferente e escrupulosa.

Quem nunca?

Esse livro prende a atenção do leitor do começo ao fim.

Você nem toma um café ou faz aquela parada. Quer viajar nas esperanças infnitas do protagonista de que sua musa vai encarar sua sombra e trazer a luz seus melhores traços.

É o meu favorito, mas Vargas Lhosa é maravilhoso. Tente ler os outros livros se puder. Recomendo todos.

Ele retrata a cultura do Peru, suas ruas, casas, as brincadeiras com os colegas e sua infância.

Eu adoro o Peru (se você não viu) recomendei uma visita ao país de trem e ainda não escrevi aqui sobre minhas duas viagens, mas escreverei em breve!

Travessuras da Menina má

4. Na Argentina há vários autores fantásticos bem como cineastas (acho os filmes argentinos excelentes).

Escolherei o mais conhecido que é o Jorge Luiz Borges.

Nascido em Buenos Aires, em 1899, foi escritor, tradutor e ensaísta.

Ganhador do prêmio Formentor Internacional, que dividiu com Samuel Beckett.

O autor ficou conhecido por Ficções que é uma coletênea de contos onde os personagens questionam a vida, o tempo, a sorte, a eternidade e o universo.

Outro livro conhecido é o Livro do seres Imaginários que tem uma coleção de 116 monstros da mitologia e das religiões do mundo afora. Também fala sobre seres do imaginário popular como gnomos, elfos e fadas.

Se você gosta de realismo fantástico aproveite para ler o post sobre as 11 melhores distopias de todos os tempos.

Jorge Luiz Borges é multiplo e bastante singular, vale a pena saber mais sobre suas obras!

Ficções: Jorge Luiz Borges

5. Quando fui ao Chile percorri as casas de Pablo Neruda.

Sou um fã, daquelas que recita a poesia predileta (em voz baixa e somente para mim).

Percorri as casas e ouvi os áudios, fui até a mais linda de todas em Isla Negra somente para conhecer um pouco mais sobre o poeta.

E, não me arrependo.

São tantos livros, mas vou recomendar a coletânea Cem Sonetos de Amor e Confesso que Vivi.

Não consegui me controlar e recomendei dois.

Pablo Neruda me levou até o Chile.

Eu queria conhecer o deserto do Atacama, sou uma caça desertos, mas foi o escritor que me fez viajar atá lá, mais do que o desejo de conhecer o deserto.

Assim é para a maioria dos escritores-viajantes creio.

Conhecemos os autores e desejamos sentir como viveram, passear pelas alamedas que os fizeram sonhar, visitar o café onde avistaram pela primeira vez seu grande amor.

Você já foi até um país por conta de um livro ou um escritor?

Conta nos comentários!

6.No Uruguai o escritor Emir Rodriguez Monegal é o mais conhecido.

O escritor, editor e crítico literário nasceu no Uruguai e foi professor em Yale de literatura comtemporânea latino-americana.

O exemplar que temos por aqui em português é Lautréamont Austral.

O livro recomendado foi escrito em conjunto com a brasileira Leyla Perrone-Moisés e se trata de um enigma acerca do escritor Isidore Ducasse (1846-70), conhecido como Conde de Lautréamont.

Emir Monegal também é conhecido pela sua biografia sobre Jorge Luiz Borges (citado acima). Disponível nesse link.

Lautréamont Austral: Emir Rodriguez Monegal

7. Na Venezuela temos Romulo Gallego Freire, político e escritor.

Ele foi presidente da Venezuela por um breve período e derrubado pelo golpe militar.

Foi professor e escritor de vários romances. O mais famoso é Dona Bárbara publicado em 1929, que o consagrou definitivamente como escritor.

Os vícios e as virtudes do povo retratados numa Venezuela rural dos anos 20. Disputa de terra – os latinfúndios- e reconciliação racial são assuntos polêmicos abordados nessa obra.

Vale a pena ler e conhecer mais sobre o país.

Em tempos de pandemia que não podemos viajar nos resta ler e abrir os horizontes, não é?

Se você ainda não viu falei sobre livros que alimentam o wanderlust de cada dia nesse post.

E, pretendo escrever sobre as obras e autores que me inspiraram pelas jornadas no mundo afora.

Assim, preciso de indicações!

Ler é fundamental

Coloque nos comentários que outros autores você conhece e como podemos expandir nosso pequeno mundinho e conhecer mais acerca dos países.

Faltam escritores da Bolívia, do Suriname, do Paraguai, da Guiana e do Equador.

Se você tiverem recomendações peço que compartilhe aqui – posso alterar o texto para incluir os indicados, assim podemos expandir nosso pequeno mundinho e difundir a literatura latino-americana!  

Ler antes de embarcar é fundamental. Só assim você conhece o país, se prepara para o que pode encontrar e alimenta o os dois vícios: o da leitura e o da viagem.

Boa jornada lendo e compartilhando conhecimento!

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