Mongólia Parte II: direção Sibéria

Começamos a jornada da capital em direção a Sibéria (a região da Rússia que engloba parte da Mongólia) e mesmo no verão é frio (muito frio a noite).

Passamos pela região chamada Selenge (onde pernoitamos em um campo de Gers para turistas, visitamos no caminho o Monastério de Amarbayasgalant.

Ficamos com uma família (a primeira a gente nunca esquece) e chegamos até o lago (lindíssimo) Khousgol.

As casas na Mongólia são gers, uma espécie de tenda (feita com estrutura de madeira embaixo e lona (ou panos comuns) em cima.

Eles montam em 20 minutos uma “casa”. Na segunda família montamos nossa ger (em uma hora…) a falta de experiência tem dessas coisas.

Dentro da ger tem camas (duas em geral) para a família, no centro uma lareira que serve de fogão também, e em volta as coisas estão arrumadas em armários (que ficam no chão).

Parece pequeno, mas cabe fácil umas 8 pessoas.

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A viagem foi feita em uma van russa , muito parecida com nossa Kombi (vulgo pão pullman) cinza e meio detonada.

As estradas nessa primeira parte são pavimentadas, mas não muito boas. Pegamos mais adiante estradas de terra e cheias de buracos.

As jornadas são longas, cerca de 8 horas por dia na van, com algumas paradas para necessidades básicas (na estrada mesmo).

O ideal é comprar salgadinhos, biscoitos e água (de 5 litros) nas mercearias da capital antes de embarcar para o interior.

Não há cidades em si no caminho, algumas vilas apenas, portanto não tem supermercado.

van
Pic By C.C.Hua

Quando eu embarquei nesse tour achava que as famílias (que íamos ficar) era algo pré agendado.

Não é.

O guia desce da van, em um campo onde se avista algumas gers, e com um binóculo ele verifica a família dispõe de mais de uma ger e de animais.

Quanto mais animais (bodes, carneiros, vacas e cavalos) mais economicamente independente é a família, o que aumenta a chance de sermos aceitos.

Descemos em uma dessas famílias, ele vai até lá e se apresenta para a “senhora da casa” (lady of the house em inglês) e pergunta se ela nos aceita.

Éramos 12 estranhos que iriam compartilhar seu teto durante a noite. Ela aceitou.

Entramos na ger (assim que o serviço com os animais termina) , nos apresentamos, sentamos em volta do fogo , tomamos um leite fermentado (salgado) e a família timidamente começa a fazer perguntas para o guia, nos observando de canto de olho (para os asiáticos em geral, olho no olho é falta de educação).

A primeira família:

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É tudo muito suave ao contrário do que se imagina.

A princípio, nós ocidentais, nos sentimos desconfortáveis com essa situação: chegar sem avisar na casa de alguém e pedir para pernoitar?

Mas é uma coisa comum na Mongólia.

Dada a vastidão de suas terras e a falta de alojamentos os turistas bem como os locais fazem isso.

Antes de ir tinha lido que deveria comprar doces, balas e chocolates para as crianças (foi o que fiz).

O guia recolhe um valor (pequeno porque é tudo barato) e compramos comida e bebida (vodka sua linda) para entregar como presentes para a família que nos recebe.

É um povo muito acolhedor.

As crianças são lindas, as mulheres nos recebem como parte da família e participamos das atividades com os animais (tanger e colocar no curral), lavar a louça e ajudar no preparo da comida (se for necessário).

Nas duas famílias que nos receberam me senti muito bem.

Meu desconforto inicial deu lugar a uma curiosidade saudável.

Observei e com gestos me comuniquei (com homens e mulheres).

Subi em garupas de moto e passei pelo meio de um rebanho de ovelhas fofas, fiz ioga no nascer do sol (havia um instrutor no grupo) e tomei leite salgado.

Um saco de dormir (para -5 º Celsius) já o fogo não fica aceso à noite, água e a mochila com itens pessoais é tudo que você precisa.

Não tem toalete. Há um buraco no chão com algumas tábuas em volta. Então… constipada ficarás!

Não tem chuveiro e não havia rio perto. Então: sem banho também ficarás!

O ideal é: quando estiver nos campos para turistas (espécie de alojamento com diversas gers individuais ou para casal) tome banho e vá ao banheiro.

É sua chance.

Nem sempre haverá água quente.

Muitos deles quando chegamos não havia eletricidade ou o gerador era ligado por volta das 19:00 ou 21:00, a essa altura você já estava morta (com farofa como dizemos aqui) então o que eu fazia era tomar banho frio mesmo, quando havia a oportunidade de um chuveiro não dispensava.

A parte mais linda, na fronteira com a Rússia o lago na Sibéria, temperatura negativa pela manhã e a noite, durante um dia um céu de brigadeiro:

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Não é uma viagem fácil.

Se você não tem espírito aventureiro, não escolha esse tour. Há diversidade. Há problemas.

A comida (carne, carne e mais carne) é pesada, gordurosa e diferente para nosso paladar. Carne de camelo e de Yak (iaque), por exemplo.

Mas se você acha que consegue aguentar alguns desconfortos, por 15 dias, e acha que trará de volta na bagagem uma jornada que te acrescenta paz e te ensina o que é viver com pouco, então pegue a estrada.

Essa viagem é para você.

No próximo post: mais lagos e mosteiros, um vulcão e outra família.

3 comentários sobre “Mongólia Parte II: direção Sibéria

  1. Oi Filhota, isso foi uma aventura e tanto, ficar com a sensação de estar fora da civilização. Acho que no meu caso não ia estranhar, porque quando me criei nas ilhas era pouco melhor.
    Os meus parabéns, em primeiro lugar pela experiência vivida, com a qual tiveste oportunidade de conhecer algo que te era desconhecido em segundo lugar, teres vivido essa experiência numa esportiva e ganhando conhecimentos.Beijinhos🐈🐕🐶

    1. Obrigada papis ! Vc sempre comenta e participa do blog , te amo ❤️. Foi mesmo uma experiência no mínimo intensa . Espero que o aprendizado permaneça comigo e me transforme de maneira positiva . 😊

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