Japão – Parte I

Japão – Parte I: Preparação

 

Devo dizer que foi o maior desafio que já enfrentei. A distância, a língua, o transporte público e o fuso horário eram as maiores preocupações. Era minha primeira vez na Ásia e o quinto continente que eu colocaria o pezinho. Como sobreviveria a 35 horas de viagem? Dezembro é inverno, será que eu suportaria a temperatura? Comecei a programar a viagem oito meses antes.

 

Passagem aérea: Comprei uma passagem super barata (em comparação com a Austrália) algo em torno de R$ 3.000,00 (ida e volta) pela American Airlines com escala em Dallas (Texas), afim de evitar as tempestades de neve nos E.U.A (se escolhesse Nova York ou Chicago o risco de uma nevasca era grande nessa época do ano). Sobrevoando o Alasca:

 

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Acomodação: Reservei um hostel em Tóquio: Hostel em Tóquio e um japanese inn em Kyoto (aquelas casas típicas do Japão chamadas de ryokan) : Ryokan em Kyoto. Lembrando que o último é para os fortes: dorme-se em uma esteira no chão forrada apenas com um edredom.

 

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Visto: o consulado do Japão em São Paulo fica no prédio do Top Center lá na Av. Paulista, 854; telefone:3254-0100. Verifique os dias de atendimento para o visto. Segue o link: consulado japa em sampa. Paguei uma taxa de R$ 64,00 em outubro de 2015. Há outra opção:um centro de visto japonês: rua Augusta, 1642 conjunto 3A, onde eu comprei o Passe JR faz o mesmo serviço, mas cobra mais por isso: Compre seu JR aqui. São super prestativos e te respondem as perguntas, mandam e-mail com o mapa do passe, é um serviço muito eficiente. De qualquer forma, no que se refere ao visto fui direto ao consulado, no centro de visto japonês comprei apenas o JR. 

 

O roteiro: Meu roteiro incluía diversas cidades, então precisava de uma cidade base para pegar o trem-bala. Tóquio como disse, foi a primeira base. De lá fui até Kamakura (onde está aquela estátua de bronze do Buda gigante), Nagoia (a fim de visitar o castelo), Hiroshima (pelo valor histórico). Depois fiz Quioto (prefiro “Kyoto”) como base para Nara e afins. Tinha um desejo imenso de ver o Japão “antigo”, as ruas que me fizeram sonhar desde os 14 anos quando li Xógum: O livro. As gueixas (que eu já as imaginava mesmo antes de ler “memórias de uma gueixa”), os templos antigos e cheios de cor, as ruelas dos filmes de samurai, as espadas e a honra de um povo lutador. Tudo isso estava em minha imaginação. Digo que o Japão foi tudo isso e muito mais. Superou todas as expectativas. 

 

O povo: São Paulo é a maior colônia de japoneses e descendentes fora o Japão. A imigração começou no pós guerra. Todos temos um amigo “japa”( apelido carinhoso gente). Um nissei, sansei ou “não sei”(como brincamos aqui). Somos mais que habituados com os rostos e as características. Não é? Na verdade não. O povo japonês (de lá) é muito educado. Mais que polidez há uma verdadeira disponibilidade interna em te ajudar. E penso ser genuína (pelo menos assim me pareceu). Não falam inglês, mas te levam até o local que você deseja ir, colocam um guarda-chuva na sua cabeça para que não se molhe enquanto procuram o endereço no GPS do seu celular (ipad ou notebook); enviam uma mensagem para alguém que fala inglês perguntando como se diz: “próximo trem” e te mostram em seu celular; falam com licença, por favor e obrigado o tempo todo. Fiquei muito surpresa. Até hoje foi o país que eu fui mais bem tratada.

 

O transporte: JR (Japan Rail Pass) é um passe que cobre as passagens de trem-bala e algumas linhas de trem dentro de Tóquio. Foi comprado no centro de visita japonês (aquele na rua Augusta que mencionei acima). O passe é caro, mas vale a pena se você for a várias cidades, pois a passagem individual de shinkansen (trem-bala) é caríssima: Trem-bala. Antes de ir tentei estudar o sistema de transportes do Japão. O metrô tem 13 linhas e 282 estações, além das 32 linhas de trem da JR e os trens de outras empresas (empresas privadas que não a JR) contam com um número também enorme de linhas. É tudo imenso e um verdadeiro quebra-cabeça. São 38 milhões de pessoas circulando apenas em Tóquio. Dá medo mesmo. Só aprendi quando estava lá. Olhando o mapa antes de sair e andando de metrô todo dia: Metrô de Tóquio. Dentro dos trens (na maioria deles) há um monitor que avisa a próxima estação e mostra em que linha você está em pelo menos 3 línguas: japonês, mandarim e inglês. Em algumas inclusive pelo auto falante. Como resultado achei por bem comprar o passe diário de metrô para turista: JPY 1.590,00 (cerca de R$: 51,84), com ele era possível pegar qualquer trem de qualquer linha, sem se preocupar com a compra nas máquinas por trecho, já que não entendo nada de japonês.

 

Quando reservar o hotel ou hostel o faça próximo de uma estação de metrô. É a melhor forma de circular no país. As ruas, na sua grande maioria, não tem nome, assim algumas pessoas alugam um wi-fi antes de ir Alugar pocket wifi Japão, eles entregam no hotel, portátil e podem usar o GPS do celular. Eu não o fiz. Peguei um mapa no centro de informação turísticas e muitas vezes me perdi. Entretanto eu gosto de me perder. Acho que é uma das melhores coisas de uma viagem, me encontrar em um local desconhecido, fora da zona de conforto e tentar refazer o caminho ou me ver forçada a interagir e perguntar: onde estou? Ainda que seja através de mímica. Ao descer no aeroporto peguei um mapa da cidade e um mapa do metrô (que eu já havia baixado no celular). E me perdi feliz pelas ruas.

 

 

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Preços: escolha bem. Eu comia em restaurantes onde só entravam japoneses. Ninguém falava inglês, mas no cardápio havia fotos das comidas, então eu apontava e comia. A conta em geral vem para mesa numa pequena prancheta, mas não se paga na mesa, você levanta vai até o caixa e paga lá. Não coloque o dinheiro na mão da caixa, há uma bandeja de plástico, coloque nela e entregue. Eles te darão o troco na mesma bandeja ou te entregam com as duas mãos. Um sinal de respeito. Fui bem recebida em todos os lugares, nunca me mandaram embora de local algum. Comi em biroscas que só havia a sopa (o sobá) e o dono me ensinou como me servir (os talheres são diferentes é claro). Não colocam garfo e faca na mesa, mas creio que a maioria dos restaurantes os tem, se não souber comer com o hashi (os pauzinhos fofos utilizados como talheres na Ásia) peça os talheres ocidentais (tira uma foto antes de ir e mostra o celular) que eles vão providenciar. Em média eu gastava no máximo JPY: 800,00 por refeição (cerca de R$: 26,00).

 

Naquele filme O último samurai, o personagem do Tom Cruise fala algo como: é um povo dedicado a perfeição em tudo que fazem, desde o nascer do sol até a noite. É isso mesmo. As coisas são lindamente feitas. Há uma poesia em seus atos e suas orações nos templos. Na comida que é esteticamente impecável e gostosa (para o meu paladar). Nas ruas limpas e na educação minimamente pensada para deixar o visitante confortável. No espaço que é respeitado, do cara que está a seu lado no trem-bala até a criança (séria) no metrô, todos se respeitam. Não vou entrar na polêmica do nível de “adestramento” e do número de mortes por suicídio. Não fiquei tempo suficiente para chegar a conclusão alguma. Mas posso dizer com certeza: de tudo que vi eu amei o Japão. Peguei o avião triste de volta (enxuguei lágrimas no voo). E voltaria todo ano não fosse a distância.

 

Não é tão caro quanto dizem (voltei com troco inclusive). Não é tão difícil se movimentar. Comunicar-se pode ser um desafio, mas nada que um pouco de mímica (e algumas palavrinhas na língua local) não resolva. Um mapa na mão e vontade de ver um mundo novo é só o que basta. Japão: onde o sol nasce primeiro e para mim até dezembro de 2015 terra desconhecida. Em uma palavra: surpreendente.

 

Próximo post: Tóquio, a magnífica.

9 comentários sobre “Japão – Parte I

  1. Vc me encoraja e deixa água na boca a fazer uma viajem dessas, mais como eu sempre diga à vc; viajo nas suas viajens.

    1. Parte da viagem fiquei sozinha a outra uma amiga me acompanhou. Não tive dificuldade alguma, a comunicação pode ser um desafio , mas dá -se um jeito sabe? Aconselho muito o Japão , abraços e obrigada por comentar

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