O que você mudaria se pudesse começar de novo?

Akai ito é uma lenda de origem chinesa que fala sobre o fio vermelho do destino.

Akai Ito: o fio vermelho do destino . Fonte: pixabay

Ele entrelaça as vidas das pessoas que conhecemos ao longo da jornada e une as que estão predestinadas a ficar juntas.

O fio de embaraça, se desarranja, atravanca até, mas não rompe.

Este artigo relata muito bem o encontro das almas gêmeas:

Segundo a lenda, não importa quantos relacionamentos tenha durante a vida, a “verdadeira experiência de amor” será de fato com a pessoa que está no outro extremo do fio vermelho. Quanto mais longo e emaranhado o fio, mais distante e doloroso será esse encontro; quanto mais curto for o fio, mais próximo e mais feliz será o encontro dessas almas gêmeas.

Não acredito em almas gêmeas. No Mochilando com as deusas há um capítulo sobre isso.

Acredito que somos o que tanto buscamos. Que no final do dia temos nosso próprio destino em nossas mãos e somos nossa melhor companhia.

Entretanto, creio no fio vermelho do destino.

Aquele que nos liga as pessoas ao longo do caminho.

Akai Ito: o fio vermelho do destino. Imagem: Canadá. Fonte: pixabay

Teria eu conhecido o Canadá se não fosse aquela senhora asiática que pediu para sentar-se na minha mesa? Viajaria para o Algarve se não tivesse feito aquele tour para a cidade de nome impronunciável? Conheceria aquele café descolado se não fosse o estranho na parada do ônibus?

Aos estranhos que conheci ao longo das viagens meu muito obrigada.

Pelo mundo que se abriu, por novos destinos adicionados à lista – um tanto gasta, pelos sorrisos da memória quase apagada, pela comida de rua com gosto de abismo.

Pelas aventuras que me tornaram uma viajante intrépida, pelo conhecimento adquirido. Hoje tenho um “porta sapato” na entrada, não entro mais com o tênis sujo.

O Canadá e o Japão me ensinaram.

Akai Ito: o fio vermelho do destino. Templo dourado em Kyoto. Fonte : pixabay

Permanece a pergunta: o que você mudaria se pudesse? Cortaria o fio vermelho do destino?

As pessoas que deixam um caminhão de sentimentos. Nos finais que gostaríamos de dar as estórias inacabadas, naquilo que faríamos se a máquina do tempo estivesse disponível. 

A esquina que você vira transforma sua história, leva a uma vida diversa, melhor ou pior são conceitos que não cabem. Não se ajustam nessa realidade distinta, no mundo alternativo nem na teoria das cordas.

A física quântica (ainda) não nos deu respostas definitivas. Teorias, experimentos, tentativa e erro: parece que essa é nossa jornada.

Tecer possibilidades.

Akai Ito: o fio vermelho do destino. Fonte: pixabay

Vislumbrar um caminho mais fácil. Esperar na janela, olhar com compaixão. Compreender não, mas aceitar. Momentos, lugares, pessoas e temperamentos.

Plantar sonhos, adubar esperança. 

Na outra vida nos escrevemos outro final. Demos aquele beijo durante a tempestade de areia. Entrelaçamos coxas. Nos tornamos um só tango.

Corremos da chuva, assistimos um filme e compartilhamos a pipoca. Descansamos dores em colos que escondem lágrimas.

Elegemos uma música favorita e dançamos juntinhos. Devagar. Prolongamos o momento. Uma breve eternidade.

Mudaria muita coisa, mas não tudo. Não todos.

Se não posso cortar apenas o incômodo, escolho permanecer com o fio invisível do destino entrelaçado aos que passam como estação de trem.

Fique comigo, faça parte da minha história, me ajude a escrever um novo capítulo.

Entre, fique à vontade.

O fio vermelho está no seu tornozelo, consegue ver?

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