Mongólia Parte IV: o lago branco e o deserto do Gobi

O deserto do Gobi não é um Saara. São pequenas faixas de areia que ficam entre as vastas planícies e montanhas da Mongólia. Ficamos no Little Gobi, uma dessas faixas de areia. A noite foi muito fria e durante o dia (para surpresa de todos) choveu. Andamos de camelo, comemos bem e a depressão de uma viagem que estava por acabar atingiu alguns de nós.

 

Foi um momento de despedidas. O deserto era nossa última parada antes de voltar para a capital. Trocamos figurinhas (facebook e afins), compartilhamos histórias, rimos e conhecemos um pouco mais cada pessoa do nosso grupo. Nossa noite foi estrelada,  gelada (como em todos os desertos) e cheia de boas lembranças. O Gobi:

 

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

O lago Terkhiin Tsagaan Nuur ou White lake fica entre as montanhas de Khangai, na região central da Mongólia. É denominado lago branco porque permanece congelado a maior parte do ano. Nosso acampamento (com gers individuais ou duplas) era na beira do lago. Apesar de ser um cenário maravilhoso havia milhares de moscas e mosquitos (que não picavam) atrapalhando a bela vista. Havia chuveiros (incrivelmente a água quente funcionou lá pelas tantas) e o café da manhã foi bom. O grupo chamou o local carinhosamente de “bug camp“:

 

Aconteceu o inesperado.

Quando saio do Brasil tenho a sensação de segurança imediata. Acho que qualquer lugar do mundo (ou quase isso) é mais seguro que o nosso país (infelizmente). Na Mongólia (ou fim do mundo) o tablet, o celular e a carteira de uma senhora da Inglaterra (que estava no meu grupo) foram furtados de sua ger. Era ela minha vizinha de “casa” no acampamento que estávamos. O guia tomou as devidas providências, chamou a polícia, fez o equivalente a um B.O.(boletim de ocorrência), houve investigação no acampamento (havia câmeras de segurança) e suspeitos foram presos.

Fiquei surpresa, para dizer o mínimo. Chateada com o crime acontecido em um país que deveria ser seguro. E é. Algumas “esquinas” que viramos na vida nos transforma de várias maneiras, não é? Certas ocasiões que vivenciamos nos dão a certeza de nossa fragilidade e de quão passageiro é isso tudo. Esse acontecimento me trouxe a certeza (que já tenho, mas esqueço às vezes) da efemeridade de nossa frágil existência. Tudo acontece. Tudo muda. Não temos controle. E tudo passa.

Shit happens.

O que ficou desse lugar tão bonito foi essa experiência nada agradável. Não tira a beleza do local, mas mancha a reputação, por assim dizer.

Entretanto a viagem foi muito mais que esse incidente. Segue o melhor do país, você já sabe: imagens falam e bem alto às vezes.

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

 

A Mongólia me impressionou de diversas maneiras. Um povo forte que trabalha na terra de sol a sol (ou neve a neve), contente com a vida tão difícil e em condições que consideramos precárias (sem banheiro e banho nos lugares mais remotos). A felicidade das pequenas coisas que esquecemos de lembrar (licença poética). A desconexão, a falta de sinal e a vastidão de sua terra me fizeram muito bem. Os incidentes não tão agradáveis também me fizeram bem. E as pessoas que conheci (algumas permanecem na minha vida) me fizeram muito melhor.

 

Recomendo o país, uma vez na vida pelo menos, para acordar de nossa dormência para o essencial. Como mencionei antes, se você está disposto(a) a enfrentar condições adversas, vá. Boa viagem. E excelente aprendizado.

 

5 comentários sobre “Mongólia Parte IV: o lago branco e o deserto do Gobi

  1. Fiz algo errado e o que estava escrito entrou sem ter terminado.
    Dizia eu que conheci bem esse problema de trabalho árduo, falta de água e de luz (agua só no pocp ou sistema para cozinhar, lavar roupa e as fuças e no xafariz para beber. E luz só lamparina a petróleo, conservação de alimentos em potes de barro com muito sal. Andar descalço, banho numa celha de cedro e wc numa cazinca na rua com tampo e um buraco circular no centro e por baixo um balde, que quando estava cheio era despejado numa cova no quintal e melhor ficar por aqui para não lembrar tempos tão difíceis.
    Por isso teu relato, fez me lembrar a minha infância e adolescência e para ti e pessoal que te acompanhou, assim como os que já fizeram essa jornada e os que futuramente a fizerem darão o devido valor as privações que se passava em meados do século passado e pior seria na epépo em que viveram os antepassados.
    PARABÉNS FILHOTA por me fazeres relembrar esse passado já distante. Beijinhos

    1. Papis, esse passado certamente tornou vc o homem que é. Caráter e ética só vem com duras provas. Obrigada por acompanhar e comentar essa jornada. Te amo

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s