Estamos todas a espera? De quê?

Women are waiters. Daddy´s little girl waits by the window with her nose pushed up against the glass, peering into the darkness for the headlights of his car. In adolescence she waits by the phone anticipating the time when he will call. She waits for her first kiss, her first date, her first orgasm.

Maureen Murdock: The heroine´s journey., página 57.

Caminho na rua e vejo sempre o mesmo: o olhar das mulheres no horizonte. Distante, fraco.

As pernas ansiosas deslizando sem certeza pelas avenidas que parecem ser feitas de sonhos.

Uma pressa sem igual, sem sentido.

Ansiedade ou paralisia? Espera.

 

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Somos feitas de espera

Uma espera eterna.

À espera na janela qual namoradeira. De um amor que volte do outro lado do oceano. De uma família que nos aceite como somos. De um lugar para pertencer.

Queremos ser aceitas. E no fim de tudo ser amadas. Não é assim?

Esperamos.

O nosso pai voltar da longa viagem. Com presentes no porta mala. Quem sabe um cachorrinho?

Uma mãe que nos dê colo.

Um irmão que nos proteja.

Uma irmã que nos conduza pelas estradas incertas que virão.

Uma amiga leal que compartilhe suas vitórias além das dores.

A mesa repleta de amor com cheiro de frango na brasa. Sobre a toalha branca de domingo. Decorada com as taças nunca usadas.

“Para as visitas” – dizia minha mãe.

Esperava usar os talheres de prata e abrir aquela garrafa misteriosa que jazia no fundo da geladeira.

 

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À espera na janela

Ansiamos partilhar o de melhor, com quem compartilha amor.

Mas onde estão eles?

Na nossa fértil imaginação. Uma versão editada e reeditada – vezes a fio- por nós mesmas de uma pessoa que nos ama, nos aceita e até quem sabe: adivinha quem somos?

Nos aceita como somos.

Com os pés sujos e as bonecas escondidas embaixo da cama.

Espalhando cheiro de manga por onde passa.

Rolando no chão com o cachorro.

Brincando de ser gente grande.

 

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Brincando de ser gente grande

Fazendo da infância um teatro. A imaginação suporta qualquer versão. A criatividade é abrigo dos que calam. Dos introvertidos.

Calam-se saudades.

Emudecem-se risos.

Suprimem-se fantasias.

Arrematam-se sonhos.

Diz a placa na frente de uma casa de janelas verdes, numa rua empoeirada de uma cidade que não existe.

Reinventam-se metas.

Controlam-se impulsos.

Seja como eu quero. Comporte-se. Feche as pernas e jamais tire os sapatos.

Não chore.

Olha a compostura!

Não revele. Não conte. Não peça.

Cale seus anseios.

Não espere.

 

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Calem-se os anseios

E esperamos. Na janela verde cujos pés não alcançam.

Somos feitas de espera.

Está no nosso DNA, mas a vida veio embrulhada em papel de ausências.

Que queima ao primeiro toque.

Mônica Barguil

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